EPIDEMIOLOGIA DAS INFECÇÕES HOSPITALARES

 


EPIDEMIOLOGIA - definição

Estudo dos fatores que determinam a freqüência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas, analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação das doenças e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde [1].

 

TIPOS DE ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS

Todos os estudos epidemiológicos são descritos em termos de exposição e desfecho. Ou seja, a exposição é a causa associada em estudo e o desfecho é a doença ou outro evento que é resultado da exposição [2].

 

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FATOS HISTÓRICOS ASSOCIADOS A EPIDEMIOLOGIA DAS INFECÇÕES HOSPITALARES

Os conceitos de higiene ambiental talvez possam tradicionalmente ser atribuídos a Florence Nightingale,enfermeira que se consagrou pela dedicação aos doentes na Guerra da Criméia, ainda no século XIX. Através de seus registros ela observou que pacientes evoluíam melhor em ambientes limpos, arejados, onde incidia luz solar e se fossem separados espacialmente de acordo com o tipo de doença. O registro destes achados e a análise da evolução dos diferentes grupos de pacientes, expostos ou não ao tipo de ambiente descrito é um dos exemplos históricos da aplicação da epidemiologia nesta época [3]

O estudo epidemiológico mais famoso talvez seja o do médico vienense, Semmelweiss, que deu origem a clássica, mas ainda atual em efetividade , recomendação, sobre a lavagem de mãos para a prevenção de infecções. Semmelweiss observou que as mulheres atendidas por médicos sofriam de febre puerperal (pós parto) e morriam mais freqüentemente do que aquelas atendidas por parteiras. O hospital era o mesmo, o corredor era o mesmo e as salas eram semelhantes. Durante muitos anos observou o que as parteiras faziam de diferente e tentou modificar o atendimento prestado pelos médicos: a) como elas atendiam as pacientes em decúbito lateral, determinou que os médicos atendessem da mesma forma. As mortes continuavam na mesma proporção. b) Como viu que muitas das parteiras eram religiosas, chamou um padre para atender as pacientes atendidas pelos médicos. Não houve redução dos casos. 

Sem resolver este problema, os médicos realizavam necrópsias nas mulheres que morriam de febre puerperal. Em determinada ocasião, um colega de Semmelweiss, Koletchka, cortou seu dedo realizando uma necropsia. Ficou doente e morreu. Semmelweiss ao realizar a necropsia do colega encontrou os mesmos achados necropsiais que eles costumavam achar nas mulheres que morriam após o parto. Deduziu então que algo ficava nas mãos dos médicos após as necrópsias, já que as parteiras não as realizavam. Determinou então que após as necrópsias, antes dos partos, os médicos deveriam lavar as mãos. A partir de então houve redução dos problemas de febres puerperais e óbitos.

Os estudos de Semmelweiss são exemplos de estudos em Epidemiologia de infecção hospitalar. Mesmo que na época não fosse conhecida(ou dividida como tal) se caracterizava por ser do tipo observacional, na época em que não havia mudado o decúbito ou instituído o atendimento religioso, ou determinado a lavagem de mãos. A partir do momento em que tentou mudanças de comportamento temos exemplo de Epidemiologia experimental, independentemente dos resultados obtidos após as diferentes interferências.

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VIGILÂNCIA E CONTROLE

A coleta de dados, sua análise e interferência através das atividades de controle é que determinam o aspecto dinâmico dos estudos em infecção hospitalar. Nem todas as ocorrências, desfechos e riscos podem ser adequadamente mensuradas através de pesquisas com delineamento adequado. Isto se deve a diferentes pontos. Um destes pontos está relacionado a questões éticas que hoje são bem estudadas. Aspectos que no passado não ficavam evidentes, agora impedem a realização de pesquisas por achados das próprias investigações antigas. Por outro lado desfechos associados a causas multifatoriais são mais difíceis de serem realizadas e, também podem ser mais demoradas. 

Esta questão traz a necessidade de considerações de dados epidemiológicos de outros estudos e com base neles a implantação de processos sabidamente preventivos, já que se instituídos certamente determinarão o controle de infecções em determinadas topografias e de determinadas doenças. O controle dos processos é a base do Controle de Qualidade na área de Infecções Hospitalares desde as primeiras publicações [4] da Joint Comission americana. Hoje os programas de qualidade nacionais se inspiram nos estudos prévios desta comissão americana. 

Se determinadas topografias são de maior incidência, os processos preventivos deverão estar mais relacionados a elas. A classificação de medidas preventivas de acordo com o grau de evidências direcionadas às diferentes topografias estão descritas nos capítulos específicos de cada um dos tipos de infecções.  

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INCIDÊNCIA DE INFECÇÕES HOSPITALARES

As infecções hospitalares mais freqüentes [5] em estudo clássico de WENZEL, são as urinárias, em torno de (40%), as sepses (10%), as cirúrgicas (25%) e as pneumonias (10%). As outras infecções correspondem a uma proporção de 15%. Este percentual poderá variar de acordo com as características das instituições.

No Brasil, o único estudo oficial sobre taxas de infecções nos hospitais brasileiros é limitado. Apesar das limitações de amostra (99 hospitais)[6] e outros aspectos relacionados à coleta de dados é o único estudo nacional recente. Neste estudo, as infecções respiratórias inferiores correspondiam à 28,9%, cirúrgicas 15,6%, pele 15,5%, urinárias 11% e sepses 10%. Outras infecções apareceram em 18% das ocorrências.

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TEMPO PARA AS ATIVIDADES

De acordo com os estudos de Emory e colaboradores [7], em 1980, 50% do tempo das equipes de Controle de Infecção Hospitalar nos EUA era destinado a Vigilância, 25 % educação e treinamento, 25% controle e supervisão. Nestas equipes a proporção de pessoal era de 1 profissional de controle de infeções para cada [25]0 leitos hospitalares.

 

A aplicabilidade destes achados para nortear as atividades atuais dos Serviços de Controle de Infecção Hospitalar vem sendo bastante discutida. A razão desta discussão está baseada principalmente no aumento da complexidade dos hospitais e aumento da proporção de pacientes graves, já que os atendimentos domiciliares são uma realidade [8].

No Brasil a publicação da portaria 2616 do Ministério da Saúde[9] determina a proporção de 1 profissional enfermeiro e um médico/ outro profissional para cada 200 leitos hospitalares, mais 1 hora adicional por semana para cada 10 leitos de pacientes críticos (conforme a descrição da própria portaria). Esta proporção tem sido, igualmente bastante discutida em razão das características dos sistemas de saúde em nosso país. O ideal talvez devesse ser que cada instituição determinasse qual sua necessidade de acordo com o programa a ser desenvolvido. A necessidade de tempo para coleta de dados, sua análise, assim como para atividades de controle e treinamento irão depender das características das características das instituições e de sua complexidade de atendimento.

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INCIDÊNCIA E PREVALÊNCIA (ver Bases para epidemiologia ao final)

Incidência -São novos casos de infecções hospitalares em um determinado período de tempo. Casos curados, mas detectados no período estabelecido são contabilizados.

Prevalência- São novos casos, ativos de infecções hospitalares em um ponto determinado no tempo. Casos antigos não são contabilizados.

 

COMPARAÇÕES ENTRE INCIDÊNCIA PREVALÊNCIA APLICADA A INFECÇÕES HOSPITALARES[10], [11],[12]

A incidência pressupõe maior número de contatos com as unidades onde os pacientes estão internados. É a forma mais utilizada para o trabalho corriqueiro. Em áreas específicas onde há grande "turnover" de pacientes graves, pode ser mais fidedigna. Um número maior de pontos de prevalência corrigiria o problema, mas a quantidade de trabalho então, semelhante ao de incidência.

A prevalência pode ser utilizada para grandes estudos multicêntricos [13],[14],[15] onde se quer ter conhecer uma realidade mais ampla, como a nacional. É mais adequado para se realizar comparações entre instituições. Demanda menos tempo que estudos de incidência. Pode ser útil também para o diagnóstico rápido de uma situação específica.

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OBJETIVO DA COLETA DE DADOS

Para o desenvolvimento de um trabalho técnico científico é necessário que haja registro dos dados. Em infecções hospitalares a identificação do nível endêmico das diferentes topografias das infecções permite a atuação com objetivo de controle. A análise permite identificar também as tendências de modo a atuar preventivamente nas diferentes áreas.

Além disto é necessário que os critérios diagnósticos para a identificação das infecções sejam estabelecidos e registrados de forma a que a busca de infecções seja uniforme. A descrição dos critérios de infecções específicas está relacionada em cada capítulo específico.

 

COLETA DE DADOS

A coleta de dados referentes aos casos de infecção pode ser do tipo ATIVO ou PASSIVO.

BUSCA ATIVA- É a busca realizada pelos profissionais do SCIH. Os métodos ativos são mais fidedignos, embora sejam mais trabalhosos e demandem maior tempo. Outra vantagem é que como há necessidade de maior número de visitas aos locais onde se encontram os pacientes há maior oportunidade de trocas. Os profissionais do Controle de Infecção, além de se fazerem presentes têm oportunidade de aprender sobre o dia-a dia das unidades  assim como tem oportunidade de educar sobre controle de infecção.

BUSCA PASSIVA- Os métodos passivos são menos fidedignos por dependerem de informações fornecidas por outros profissionais, que em geral não estão treinados uniformemente para os registros. As taxas tendem a ser menores em algumas situações, como a do preenchimento de fichas, onde há tendência à subnotificação.

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MÉTODOS ATIVOS E PASSIVOS

Cada tipo de busca de casos têm seu mérito, e diferentes estudos em instituições específicas apresentaram diferentes evidências [16].

As técnicas ativas de busca de casos de infecção são preferidas pela maioria dos hospitais americanos[17]. As técnicas ativas não apenas permitem uma detecção de casos mais completa, mas também permitem o profissional do controle de infecções visitar as áreas regularmente, interagir e orientar a equipe e ter conhecimento de problemas que possam estar ocorrendo.

As técnicas passivas, especialmente o preenchimento de fichas por médicos ou enfermeiros das unidades, tem sido vistas como extremamente pouco acuradas para a detecção rotineira de infecções hospitalares. Os hospitais que têm escolhido técnicas passivas têm apresentado taxas muito baixas. Isto ocorre mais por subnotificação do que por técnicas adequadas [18].  

Técnicas utilizadas por hospitais americanos

% aproximado

Técnicas ativas

·         Culturais (exceto hemoculturas) são revisados rotineiramente e os casos suspeitos de infecção são investigados.
·         Hemoculturas são revisadas rotineiramente e os casos suspeitos de sepses são investigados.
·         Revisão de prontuários durante "rounds"nas unidades pelos profissionais do SCIH.
·         Enfermeiras das unidades, médicos e outros profissionais são contactados regularmente para busca de novos pacientes infectados.
·         Registros de enfermagem ou controles de febre são revisados regularmente para busca de novos casos de infecção.
·         Os pacientes ou os médicos são contactados regularmente para identificar infecções pós alta.

Técnicas passivas

·         Preenchimento de formulários por médicos ou enfermeiros que cuidam dos pacientes para alerta dos profissionais de controle de infecção de novos casos.
·         Revisão dos prontuários dos pacientes pelo pessoal do controle de infecção.
·         Revisão dos prontuários dos pacientes através do responsável pelo arquivo para detectar infecções hospitalares.

 



98%

90%

88%
88%

80%

10%




55%

55%
35% 

 

 

No Brasil, igualmente são utilizados métodos distintos. De forma geral os hospitais iniciam suas atividades realizando busca passiva através do preenchimento de formulários. Esta alternativa pode ser útil para fornecer dados iniciais à administração do hospital quando se possui poucos recursos humanos e é necessário que algum dado seja fornecido. Desta forma o SCIH pode aos poucos ir demonstrando quais suas necessidades reais. No entanto, busca ativa por objetivos específicos em locais de maior risco pode ser mais efetivo e fornecer evidências mais convincentes [19]

O sistema do projeto NNIS tem sido utilizado em diversas instituições brasileiras, sendo que diferentes instituições utilizam sistemas informatizados de forma a auxiliar na busca ativa de infecções [20], [21],[22].

Outros métodos, principalmente para detecção de infecção pós alta têm sido descritos. O uso do telefone, que em um país como o Brasil, é um deles, embora limitado pelo fato de sua disponibilidade. O método de busca pós alta em nosso país em ambulatório de egressos é utilizado por instituições com serviços tradicionais, mas é necessária uma estrutura bem montada e apoio administrativo para isto [23].

 

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PROJETO NNIS

O projeto NNIS significa National Nosocomial Surveillance System - NNISS, sendo que hoje está convencionado escrever NNIS(sem o último S).

Este projeto foi idealizado pelo Centers for Disease Control (CDC) de Atlanta em 1970 e possuía como objetivos básicos:

a)       estimar a incidência de infecções hospitalares nos Estados Unidos da América;

b)       identificar tendências na epidemiologia das Infecções Hospitalares;

c)       permitir a comparação de dados entre instituições;

d)       estudar um método de coleta de dados eficaz e eficiente;

e)       proporcionar estudos colaborativos entre instituições identificando principais fatores de risco e mecanismos de resistência bacteriana.

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MUDANÇAS NO PROJETO NNIS APÓS 1986

Foi sentida a necessidade de medidas mais precisas dos riscos e desfechos em grupos específicos de pacientes. Foi desenvolvido então o sistema de vigilância NNIS por componentes.

Um dos principais aspectos era o da utilização do mesmo protocolo com os mesmos critérios para definição das infecções hospitalares (os critérios do CDC estão descritos separadamente nos capítulos referentes aos tipos de infecções hospitalares específicos).

Os componentes podem ser utilizados simultaneamente ou apenas um ou mais deles.

   

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COMPONENTES DO PROJETO NNIS

Dados a serem registrados ([24] )  

Componente global

·         Pacientes- todos

·         Topografias das infecções- todas

Componente de terapia intensiva Pediátrica e Adultos

·         Pacientes- todos da área escolhida de terapia intensiva

·         Topografias das infecções- todas

·         Procedimentos de risco- cateter urinário, acesso vascular central e ventilação mecânica.

·         Gravidade das doenças- todos os pacientes são avaliados de acordo com a gravidade das doenças (VER QUADRO ABAIXO).

Componente Berçário de alto risco

·         Pacientes- recém nascidos classificados em nível III (definição abaixo*), divididos de acordo com o peso ao nascer.

·         Topografias- todas

·         Procedimentos de risco- cateter umbilical, acesso vascular central e ventilação mecânica

Componente de vigilância em paciente Cirúrgico

a)       Opção limitada

b) Opção detalhada

* BERÇÁRIO DE ALTO RISCO [25](também chamado de UTI Neonatal)  

Crianças que estão gravemente doentes e recebem cuidados de nível III. A maioria das crianças que estão em berçário de alto risco apresenta uma das seguintes condições:

·         peso menor ou igual a 1500 gramas.

·         cateter umbilical

·         suporte ventilatório.

·         em tratamento por uma infecção potencialmente grave.

·         foram submetidas à cirurgia.  

   

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Código de classificação do grau de gravidade da doença- Unidades de Terapia Intensiva/ NNIS ([24])

A -  Pacientes em pós-operatório requerendo observação pós-operatória de rotina, mas não requerendo cuidado médico ou de enfermagem intensivo. Estes pacientes, normalmente, recebem alta da unidade de terapia intensiva dentro de 48 h. Alguns destes pacientes seriam manipulados na sala de recuperação.  
B - Pacientes estáveis fisiologicamente requerendo observação profilática noturna sem cuidado médico ou de enfermagem (o cuidado médico é o equivalente ao de rotina pós-operatória). Exemplos destes pacientes seriam aqueles admitidos por infarto agudo do miocárdio e pacientes estáveis, mas que não estão em uso de drogas.
C - Pacientes fisiologicamente estáveis requerendo cuidado de enfermagem intensivo e monitorização. Exemplos destes pacientes seriam aqueles estáveis em coma ou com insuficiência renal crônica.
D - Pacientes fisiologicamente instáveis requerendo cuidados médicos e de enfermagem intensivos com a necessidade freqüente de reavaliação e ajuste de terapia. Exemplos destes pacientes seriam  aqueles com arritmia, cetoacidose diabética sem coma, choque séptico, coagulação intravascular disseminada.
E-  Pacientes fisiologicamente instáveis que estão em coma ou choque (pressão sistólica menor ou igual a 90mmHg por 3 h ou requerendo terapia com droga vasoativa) ou requerendo ressuscitação cardio-pulmonar ou cuidado médico e de enfermagem intensivo com a necessidade freqüente de reavaliação.  

Classificação do estado físico da Sociedade Americana de Anestesiologia [26] (ASA= Average Score of Anesthesiology)

1.       O paciente não apresenta distúrbio orgânico, fisiológico, bioquímico ou psiquiátrico.

2.       O paciente apresenta distúrbio sistêmico leve a moderado que pode ou não estar relacionado ao distúrbio que necessita de cirurgia. ( Hipertensão Arterial Sistêmica , Diabete  Melitus)

3.       O paciente apresenta um distúrbio sistêmico grave que pode ou  não estar relacionado com a cirurgia a ser realizada (Hipertensão Arterial Sistêmica mal controlada, Doença cardíaca que limita a atividade física).

4.       O paciente tem um distúrbio sistêmico grave  que ameaça a vida sem com ou sem cirurgia.(Insuficiência Cardíaca Congestiva, Angina Pectoris persistente, Infarto Agudo do Miocárdio).

5.       O paciente está moribundo e tem pouca chance de sobreviver, porém a cirurgia deve ser realizada como o último recurso (esforço de ressuscitação)

E paciente necessita de cirurgia de emergência.

TAXAS/INDICADORES

A maioria das taxas era expressada em percentual de pacientes com infecção. As taxas eram calculadas tendo como numerador o número de infecções e como denominador o número de altas ou entradas no hospital. O que é mais conhecido pela imprensa leiga em percentuais de infecções hospitalares (%).

Após 1986 foram realizadas novas propostas de estudo pelo CDC para hospitais americanos dispostos a utilizar o mesmo protocolo e os mesmos critérios de identificação das Infecções Hospitalares.

TAXAS TRADICIONAIS (%)

NÚMERO DE INFECÇÕES x 100

NÚMERO ALTAS+ÓBITOS

TAXAS AJUSTADAS À PERMANÊNCIA (POR 1000 PACIENTES-DIA

NÚMERO DE INFECÇÕES         X 1000                          

NÚMERO DE PACIENTES-DIA

 

ONDE: PACIENTE-DIA= são somados todos os dias de todos os pacientes no período.

 

TAXA DE USO DO PROCEDIMENTO:

NÚMERO DIAS PERMANÊNCIA PROCEDIMENTO x  X 1000         

NÚMERO PACIENTES- DIA                                         

 

PROCEDIMENTO= cateter venoso central ou cateter vesical ou ventilação mecânica

 

INFECÇÕES RELACIONADAS AOS PROCEDIMENTOS DE RISCO:

NÚMERO DE INFECÇÕES ASSOCIADAS A UM PROCEDIMENTO x  X 1000

NÚMERO DIAS PERMANÊNCIA PROCEDIMENTO x

 

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BASES TEÓRICAS EM EPIDEMIOLOGIA

 


População  Todos os habitantes de um país ou área considerada conjuntamente . Possuem características em comum. Ex.: todos os pacientes adultos que internam nos hospitais de P.Alegre para se submeter a uma cirurgia cardíaca. volta

  Amostra É um subconjunto selecionado de uma população que representa bem as características da população de interesse. Ex.: os pacientes de um hospital específico que internam para se submeter a cirurgia cardíaca. volta

 "Caso" clínico-epidemiológico É uma pessoa na população ou o grupo em estudo identificado como tendo uma doença ou sintoma específico ou uma condição a investigar. Ex.: paciente que se submete a cirurgia cardíaca. volta

  Variável discreta é aquela que só  pode apresentar certos valores fixos, geralmente inteiros.Ex.:  número de pessoas que se submetem a cirurgias e para as quais são usadas pontes mamárias. volta

Variável contínua é a que  pode  apresentar qualquer valor dentro de um intervalo. Ex.: quantidade  de ppm de cloro em uma solução de Hipoclorito de Na em uso. volta

Variável aleatória é a diferença entre uma observação de amostra e o valor real na população. Esta diferença é atribuída ao acaso.  volta

Variável nominal é a que só se pode ser colocada em categorias sem qualquer ordem inerente. Ex.: sexo. volta

  Variável ordinal é aquela que possui alguma ordem inerente ou graduação   mas cujos intervalos não podem ter seus tamanhos especificados. Ex.: Grau de edema  em cruzesvolta

 Variável intervalar é aquela onde existe uma ordem inerente e a diferença entre os valores sucessivos é sempre a mesma. volta

Variável de interesse é a variável estuda.  volta

Média  é uma medida de tendência central e representa o valor provável de uma variável, por isso é muitas vezes chamada de valor esperado ou esperança matemática quando se estuda o modelo estatístico de uma variável. Ex.: A média de altura dos gaúchos.  volta

Moda é a medida de tendência central e é o valor que aparece com maior freqüência e um grupo de valores.  volta

Variância  é uma medida de dispersão e significa o quanto se desvia cada valor individual de uma série em relação à média. Ex.: quantos cm. no máximo  existem de diferença em relação a média para mais e para menos. volta

Desvio padrão é a medida de dispersão que corrige o defeito da variância pois sendo extraída a raiz quadrada positiva da variância pode ser acompanhado da unidade com que foi medida a variável.  volta

 

Estas medidas podem ser calculadas para as populações e para amostras . Em algumas situações, dependendo dos dados disponíveis, conhecendo-se o valor de uma na população pode se obter o valor da sua equivalente na amostra através da utilização de fórmulas específicas.

 

Binomial : a distribuição binomial estuda o comportamento em amostras de uma variável dicotômica. Ex.: o sexo, o tipo de Rh do sangue. Os dois eventos possíveis  são chamados de “sucesso”ou “fracasso”.  volta

Poisson é uma distribuição usada para descrever a distribuição da amostra de contagens isoladas em um contínuo de tempo e espaço. Ex.: contagem de desintegração de radioatividade por minuto. volta

Normal.  As propriedades desta distribuição incluem:  a) é uma distribuição contínua e simétrica; b) a média ,a mediana e a moda são idênticas; c)a forma de sua curva é determinada pela média e desvio padrão. Tem formato de sino.  Nesta distribuição os valores extremos são raros e os centrais são os mais freqüentes. A curva normal padronizada tem média= zero e desvio padrão =um . As áreas situadas abaixo da curva estão tabeladas e correspondem aos retângulos do histograma.  volta

Critérios para a normalidade e anormalidade:  ser incomum, ser tratável e ser sintomático. O que pode ser normal usando um critério , pode ser anormal usando outro. volta

Teorema do limite Central. O princípio deste teorema é de que independente de como os dados são distribuídos na população as médias calculadas de observações amostrais tendem a ter distribuição normal ( de acordo com a curva de Gauss/normal). A tendência aumenta a medida em que aumentam as observações de cada amostra.  volta

Estimativa por ponto e por intervalo de confiança: A magnitude exata do efeito observada em um estudo particular é estimativa ponto do efeito. A precisão estatística da magnitude do efeito observado expressa como intervalo de confiança  aumenta com o poder estatístico do estudo. Se o estudo não é viciado há uma chance de 95% de que o estudo inclua a intensidade real do efeito. Os intervalos de confiança são uma alternativa para expressar significância estatística. Se o valor correspondente cai fora do intervalo de confiança de 95% os resultados são estatisticamente significativos ao nível de 0,05.  volta

Testes de hipóteses. Para realizar o teste é necessário transformar a hipótese em hipótese estatística que são suposições que fazemos sobre o valor dos parâmetros das populações. a) Hipótese nula ou de nulidade: ausência de diferença entre os valores. Ex.: A média da população que mora a 1500 m acima do nível do mar é igual a da população tomada como referência. B) Hipótese alternativa é o contrário da hipótese nula. Tem um valor positivo. Uma média é diferente da outra. Com um teste da hipótese se aceita ou rejeita a mesma, com um risco máximo de erro conhecidovolta

Erro alfa é a conclusão de que um tratamento é efetivo ,por exemplo, quando na realidade ele não é. Rejeição de uma hipótese nula verdadeira. Isto pode acontecer quando não é estimado um tamanho adequado da amostra para o estudo.  volta

Erro beta  erro de falhar na rejeição de uma falsa hipótese nula. O p beta é freqüentemente estabelecido em 20% de um determinado estudo omitir verdadeiras diferenças de um dado tamanho. volta

Prevalência é a probabilidade de que alguém, em dada população, tenha uma determinada característica/sintoma/doença num determinado momento. A prevalência é calculada dividindo-se o número de pessoas na amostra que tenham a característica pelo número total de pessoas na amostra. Ex.: o numero de pessoas que tenham infecção na ferida operatória no dia 16 de novembro entre os pacientes cirúrgicos internados. volta

Incidência é a fração ou proporção de um grupo inicialmente livre de uma característica/sintoma/doença que a apresenta durante um período de observação estabelecido. A incidência é utilizada para estimar a probabilidade de que um indivíduo manifeste a doença de interesse. Ex.: os novos casos de infecção de ferida operatória que surgem nos pacientes que realizaram cirurgia no período de 1 a 30 de novembro. volta

Estudo de coorte ( estudo longitudinal, prospectivo ou de incidência) é o método de estudo epidemiológico no qual amostras de uma determinada população podem ser identificadas como estando, tendo estado, ou no futuro podem estar expostos ou não expostos, ou expostos em diferentes graus, a um fator ou fatores hipotetizados que influenciam a probabilidade de ocorrência de uma determinada doença. Ex.:  estudo da mortalidade por tuberculose de sucessivas faixas etárias.  volta

Estudo de caso-controle é utilizado para se saber se um grupo de pessoas, sob ação de um fator de risco, vai desenvolver uma doença e se esta doença está associada a este fator de risco. Para isto é necessário um grupo de pessoas não expostas   risco  que é o grupo controle. Estes dois grupos devem ser comparáveis, exceto quanto a questão do risco. O pesquisador , então, olha para trás no tempo para determinar a freqüência de exposição nos dois grupos. Estes dados são usados para estimar o risco relativo do fator associado a doença. Ex.: Uso do Milrinone  e do placebo na espessura do miocárdio.  volta

Vícios

De seleção: quando grupos em comparação não são semelhantes em relação a todas as variáveis que determinam o resultado da associação exceto na em estudo. Ex.: aparecimento de infecções hospitalares em pacientes de hospital geral e hospital de câncer.

De aferição: quando variáveis clínicas são medidas de um modo sistematicamente diferente entre os grupos de pacientes. Ex.: uso da informação colhida dos registros para detectar o aparecimento de infecção pós operatória. Casos colhidos durante a hospitalização e casos colhidos no retorno ao consultório médico em períodos de tempo diferentes.

De confusão: quando dois fatores ou processos estão associados ou viajam juntos e o efeito de um é confundido com o de outro. Ex.: o triglicerídeo é um fator de risco para a doença coronariana mas seu efeito não é independente do colesterol sérico.  volta

 

Validade: as pesquisas ou observações são válidas quando não forem viciadas e que se possa dizer que a probabilidade de influência pelo acaso é mínima. Ela deve refletir o estado verdadeiro dos fenômenos que estão sendo medidos. Pode ser interna ou externa. volta

A interna se aplica a condições particulares de um grupo determinado de pacientes que estão sendo observados e não necessariamente a outro. Uma pesquisa tem validade interna se todos  os dados são bem observados, cuidando-se para evitar os vícios e a variação aleatória. A validade interna é uma condição necessária mas freqüentemente insuficiente.Ex.: utilizar a mesma técnica de busca de casos de infecções hospitalares em determinada população do hospital, utilizando as mesmas pistas (febre, exames microbiológicos etc.) e investigando com freqüência previamente determinada.

 O sinônimo de validade externa explica o seu significado: capacidade de generalização. A validade externa é a possibilidade de determinado estudo ser aplicado em outras situações. Pode ocorrer que um estudo tenha alta validade interna mas não pode ser aplicado em outro grupo de pacientes. Isto ocorre devido ao vício de amostragem. Este vício  ocorre quando as conclusões de um estudo são generalizadas para outro grupo não semelhante ao do estudo. Ex.: indicador de infecções hospitalares mensal sem controle pós alta em determinado hospital não pode ser generalizado como indicador para grupos de

pacientes para outro hospitais  A ausência sistemática da falta de controle pós alta  permite a comparação apenas na instituição estudada mas não tem a informação completa que permita generalizar.

 

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