ESTERILIZAÇÃO


Esterilização é o processo que promove completa eliminação ou destruição de todas as formas de microorganismos presentes : vírus, bactérias, fungos, protozoários, esporos, para um aceitável nível de segurança. O processo de esterilização pode ser físico, químico, físico- químico.[1] 

 

MÉTODOS DE ESTERILIZAÇÃO Alternativas 
Métodos físicos

vapor saturado/autoclaves 

calor seco 

Raios Gama/Cobalto 

Métodos químicos 

Glutaraldeído 

Formaldeído 

Ácido peracético 

Métodos físico químicos

Esterilizadoras a Óxido de Etileno (ETO) 

Plasma de Peróxido de Hidrogênio 

Plasma de gases (vapor de ácido peracético e peróxido de hidrogênio; oxigênio, hidrogênio e gás argonio)  

Vapor de Formaldeído 

 

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MÉTODOS FÍSICOS

A esterilização por métodos físicos pode ser realizada pelos seguintes processos em estabelecimentos de saúde.  

 

ESTERILIZAÇÃO POR VAPOR SATURADO/ autoclaves 

  A esterilização a vapor é realizada em autoclaves, cujo processo possui fases de remoção do ar, penetração do vapor e secagem. A remoção do ar diferencia os tipos de autoclaves.  

Os ciclos de esterilização são orientados de acordo com as especificações do fabricante. 

Um ciclo de esterilização do tipo "Flash" pode ser realizado em autoclave com qualquer tipo de remoção do ar [2].  

As autoclaves podem ser divididas segundo os tipos abaixo: 

TIPOS 

  

GRAVITACIONAL

O vapor é injetado forçando a saída do ar. A fase de secagem é limitada uma vez que não possui capacidade para completa remoção do vapor.  

Desvantagem: pode apresentar umidade ao final pela dificuldade de remoção do ar.    

As autoclaves verticais são mais indicadas para laboratórios. 

Venturi - O ar é removido através de uma bomba. A fase de secagem é limitada uma vez que não possui capacidade para completa remoção do vapor.  

Desvantagem: pode apresentar umidade pelas próprias limitações do equipamento de remoção do ar. 

  

ALTO VÁCUO

Introduz vapor na câmara  interna sob alta pressão com ambiente em vácuo. É mais seguro que o gravitacional devido a alta capacidade de sucção do ar realizada pela bomba de vácuo. 

  

Vácuo único 

O ar é removido de uma única vez em pequeno espaço de tempo.  

Desvantagem: pode haver formação de bolsas de ar. 

Vácuo fracionado (por pulso ou escalonado) 

remoção do ar em períodos intermitentes, com injeção simultânea de vapor. Também funciona por gravidade

A formação de bolsas de ar é menos provável.

     

Exemplos de parâmetros para esterilização a vapor[3]

Exemplos de tempos mais comuns de exposição [4] 

Tipo de autoclave   Temperatura   Tempo de exposição Temperatura Tempo do ciclo
Gravitacional   121 a 123o.C  

132 a135o.C

depende da orientação do fabricante   121 a 123o.C

132 a 135o.C  

15 a 30 min  

10 a 25 min  

Pré vácuo   132 a 135o.C  

141 a 144o.C

depende da orientação do fabricante   132 a 135o.C   3 a 4 min  
Vácuo fracionado   121 a 123o.C  

132 a 135o.C  

141 a 144o.C  

depende da orientação do fabricante   121 a 123o.C

132 a 135o.C 

20min  

3 a 4 min 

Esterilização rápida (“Flash”)

  

Exemplos de tempos mínimos de exposição em estrilização tipo "flash"[3][2]  

Tipo de autoclave 

Tipo de carga 

Temperatura 

Tempo do ciclo 

GRAVITACIONAL 

-Metais, ítens não porosos, sem lumes. 

- Metais com lumes, ítens porosos (plásticos, borrachas) 

132o.C 

     

132o.C 

3 min 

          

10 min 

 PRÉ VACUO 

-Metais, ítens não porosos, sem lumes. 

- Metais com lumes, itens porosos (plásticos, borrachas) 

132o.C 

  

132o.C 

3 min 

  

4 min 

VÁCUO FRACIONADO 

-Metais, itens não porosos, sem lumes. 

- Metais com lumes, itens porosos (plásticos, borrachas) 

132o.C a 135o.C 

  

141o.C a 144o.C* 

3 min 

  

2min 

·         *incomum no Brasil 

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COMO MONTAR UMA CARGA NA AUTOCLAVE

A remoção do ar da câmara é absolutamente crítica para o completo processo de autoclavação.

O ar pode ser removido ativa ou passivamente. 

Estes dois tipos de remoção do ar caracterizam os dois tipos básicos de esterilizadoras de vapor saturado:

a) Remoção de ar por gravidade- neste tipo de equipamento a entrada do vapor "força" o ar para fora. Como o ar é mais pesado que o vapor e não se mistura bem com o vapor este último formará uma camada acima que à medida de sua entrada irá forçando o ar para fora. O tempo de remoção do ar dependerá do tipo e densidade da carga. 

É importante que a carga seja organizada de forma que o vapor penetre mais facilmente, com poucos obstáculos, a fim de que possa drenar para baixo encontrando o local de saída ("por gravidade") 

b)Remoção do ar dinâmica : pré-vácuo ou por pulso gravitacional

O ar é ativamente removido.

No início do ciclo o vapor é introduzido na câmara, com a válvula do dreno aberta para deixar sair o ar. Após um período de tempo estabelecido a válvula é fechada. à medida em que o vapor vai entrando vai se misturando com ar ainda dentro da câmara criando uma mistura de vapor e ar não condensado iniciando a pressurizar. O dreno então é aberto expulsando a a mistura de ar e vapor pressurizado. Com este escape repentino de de gases forma-se uma pressão na linha que cai abaixo da pressão atmosférica criando o pré-vácuo. O ar não é todo removido, tornando então a ser introduzido o vapor e repetindo o processo. De forma geral os pulsos são em número de quatro para remoção do ar  e permitir a penetração do vapor na carga a ser esterilizada. A diferença do pré- vácuo e do pulso gravitacional é que o segundo tipo não utiliza ejetores ou "pumps" de vácuo para acelerar a remoção de ar/vapor no final de cada pulso. O pré vácuo é mais eficiente e rápido. No entanto o pulso gravitacional é mais eficiente do que o tipo puramente gravitacional.

Preparando os artigos e carregando a autoclave 

1) Materiais articulados e com dobradiças devem ser colocados em suportes apropriados de forma a permanecerem abertos.

2) Materiais com lumens podem permanecer com ar dentro(por exemplo, endoscópios). Para evitar este problema devem ser umedecidos com água destilada imediatamente antes da esterilização. O resíduo de ar se transformará em vapor. 

3) Materiais côncavos, como bacias devem ser posicionados de forma que qualquer condensado que se forme flua em direção ao dreno, por gravidade.

4) Materiais encaixados um no outro (cubas, por exemplo) devem ser separados por material absorvente de forma a que o vapor possa passar entre eles. Lembrar que o encaixe sempre dificultará a passagem do vapor. Material cirúrgico não deve ser acondicionado encaixado ou empilhado.

5) Caixas ("containers") de instrumentais devem ser colocados longitudinalmente na cesta da autoclave, sem empilhar. 

6) Têxteis devem ser colocados de forma a que os ângulos estejam direcionados aos ângulos da cesta ou estante da autoclave para permitir melhor passagem do vapor.

7) Os tipos de embalagens deverão ser escolhidos de acordo com a capacidade da autoclave. O período de validade de cada embalagem para cada tipo de material é definido por testes pela própria instituição. 

a)Alguns não tecidos assim como embalagens de algodão são absorventes e permitem que o condensado se espalhe por uma área maior para revaporização e secagem. 

b) Coberturas feitas de materiais não absorventes como polipropileno ou não tecidos de 100% de poliéster não espalham a umidade. Quando usados para bandejas ou bacias deve ser assegurado que a disposição do material na autoclave permitirá a drenagem do condensado. Se houver materiais pesados em bandejas, devem envoltos em material absorvente antes de serem colocados nas bandejas. 

c) Caixas ("containers") metálicas agem como retentores do calor auxiliando na secagem do material. No entanto produzem mais condensado quando não embalados apropriadamente e não auxiliam na revaporização final.

d) Caixas ("containers")plásticos agem como isoladores e resfriam rapidamente. O contato com superfícies ou ambientes mais frios provoca condensado rapidamente.

Obs: tanto caixas metálicas quanto plásticas não devem ser esterilizadas em autoclaves de gravidade. Deve ser preferido a esterilização por pré vácuo ou pulso gravitacional. O ar é difícil de ser removido destes "containers" e a adição de tempo de exposição não irá auxiliar na remoção do ar.

e) Os artigos após a esterilização não devem ser tocados ou movidos após 30 a 60 minutos em temperatura ambiente. Durante este tempo eles devem ser deixados na máquina se não houver prateleira ou cesto removível ou no próprio cesto em local onde não haja correntes de ar. Se um material úmido ou morno for colocado em um lugar mais frio, como recipientes plásticos o vapor ainda existente poderá condensar em água e molhar o pacote. 

Obs: Não há benefício em fechar novamente a autoclave após a abertura para "secar" melhor. Isto apenas aumentará o tempo necessário para o resfriamento natural.

f) Alguns "containers" rígidos e não tecidos secam melhor quando um papel absorvente é colocado na base para absorver a umidade. Antes de comprar embalagens, teste o material com ela.

g) Pode ser necessária a colocação de um absorvente na prateleira da máquina.

h) Esterilizar têxteis e materiais rígidos em cargas diferentes. Não sendo prático, coloque têxteis acima com materiais rígidos abaixo, não o contrário.

i) Os materiais e embalagens não devem tocar as paredes da câmara para evitar condensação.

j) Não preencha com carga mais do que 70% do interior da câmara.

k) Sempre ter em mente ao preparar uma carga a necessidade de remoção do ar, da penetração do vapor e a saída do vapor e reevaporação da umidade do material. 

  


ESTUFA 

Existem dois tipos de estufas segundo a distribuição de calor:  

1)      convexão por gravidade

2)      convexão mecânica (mais eficiente por distribuiçào de calor mais uniforme) 

EXEMPLOS DE TEMPERATURA E TEMPO NECESSÁRIO DE EXPOSIÇÃO 

Temperatura Tempo
171o.C 
160o.C 
149o.C 
141o.C 
121o.C 
 60 minutos
120 minutos
150 minutos 
180 minutos 
12horas 

 

  Calor seco Calor transferência rápida 
Temperatura  ·         160o.C ou 170o.C  ·         190o.C 
Tempo do ciclo 
  • 1 a duas horas 
  • 12 minutos para pacotes 

  • 6 minutos para material não coberto 

Tipo de material
  • Não deve ser isolante de calor 

  • Deve ser termo resistente a temperatura utilizada 

  • Tubos de polifilme plástico 

  • alguns tipos de papel 

  • Folhas de alumínio 

  • Não deve ser isolante de calor 

  • Deve ser termo resistente a temperatura utilizada 

  • Tubos de polifilme plástico 

  • alguns tipos de papel 

  • Folhas de alumínio 

Vantagens 

  • Seguro para metais e espelhos (ex.odontologia) 

  • Não danifica instrumentos de corte 

  • Não forma ferrugem 

  • Menor ciclo 

  • Seguro para metais e espelhos (ex.odontologia) 

  • Não danifica instrumentos de corte 

  • Não forma ferrugem 

Desvantagens
  • Ciclo longo, exceto se o ar é forçado 

  • Pequena penetração em materiais mais densos 

  • Não esteriliza líquidos 

  • Destroi materiais sensíveis ao calor

  • Instrumentos devem estar secos antes de serem empacotados 

  • Não esteriliza líquidos 

  • Destrói materiais sensíveis ao calor  

    

·         Tempos de exposição e temperatura: variam conforme o tipo de material a ser esterilizado. O maior problema relacionado é o fato de que a penetração do calor é difícil, lenta e distribui-se de forma heterogênena. 

·         Embora durante muito tempo tenha sido utilizado como única alternativa para pós e óleos, estas substâncias, quando validadas podem ser esterilizadas por vapor. 

·         Vantagens: a maior vantagem que tem sido preconizada é de que material de corte perde mais lentamente o fio do que em vapor. No entanto, estes materiais também podem ser esterilizados em Plasma de Peróxido de H2. 

·         Problemas em áreas específicas: pequenas clínicas de oftalmologia que utilizam delicados materiais de corte têm utilizado esta alternativa pelos problemas descritos anteriormente. Outros métodos, como o plasma de Peróxido de hidrogênio, no momento seriam muito onerosos, sem custo-benefício para pequenas clínicas.

·         Odontologia: para material clínico (espelhos e similares), sem ranhuras e detalhes pode ser uma opção já que não são densos e haverá alta temperatura nas superfícies.  

·         Formas de uso:conforme indicação do fabricante; 

·         Manutenção preventiva: convencionada no mínimo, mensal ou conforme indicação do fabricante. 

·         Monitorização: 

·         Testes biológicos: embora não exista um teste ideal o Bacillus Subtillis é o mais indicado. 

·         Invólucros: 

·         caixas de aço inox de paredes finas ou de alumínio; 

·         papel laminado de alumínio. 

·         polímeros resistentes a altas temperaturas.    

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MÉTODOS FÍSICO- QUÍMICOS ( BAIXA TEMPERATURA)

De forma geral os métodos físico- químicos são processos que são realizados com baixas temperaturas. A esterilização a baixa temperatura é requerida para materiais termo sensíveis e/ou sensíveis à umidade. O método ideal não existe[5] e todas as tecnologias têm limitações. 

Características de um esterilizante ideal para baixa temperatura  

  

Alta eficácia deve ser viruscida, bactericida, tuberculicida, fungida e esporicida 
Ação rápida  esterilizar rápidamente
Grande penetração  penetrar pacotes de materiais comuns e penetrar lumens 
Compatibilidade com materiais  as alterações devem ser imperceptíveis tanto na aparência quanto na função dos materiais, mesmo após repetidas esterilizações. 
Não tóxico  não devem apresentar riscos à saúde do operador, do paciente e não poluir o ambiente. 
Resistente à matéria orgânica  deve ter eficácia na presença de quantidade razoável de matéria orgânica. 
Adaptabilidade  deve ser adequada para grandes ou pequenos locais de instalação e ponto de uso. 
Capacidade de monitorização  deve ser monitorado de forma fácil e acurada com indicadores físicos, químicos e biológicos.  
Custo-efetivo deve ter custo razoável de instalação e de operação. 

 

O Óxido de Etileno tem sido o produto mais frequentemente utilizado como processo de baixa temperatura. Alguns estados americanos têm requerido redução da emissão de Óxido de Etileno de 90 a 99% [6] pelos seus efeitos nocivos. O Óxido de Etileno é um produto altamente tóxico, na forma de gás. Apresenta riscos tóxicos ao operadores e pacientes por ser provavelmente carcinogênico e por ser inflamável. Os clorofluorocarbonados são usados como estabilizadores em combinação com o Óxido de Etileno e a Agência de Proteção Ambiental Americana  baniu a produção dos clorofluorocarbonados. Foram então desenvolvidos alternativas  como 100% de Óxido de Etileno  com diferentes estabilizadores: dióxido de carbono, hydroclorofluorocarbonados, vapor de Peróxido de Hidrogênio,  gás plasma, Ozônio, Ácido Peracético e Dióxido de Carbono.  

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ÓXIDO DE ETILENO

O Óxido de Etileno[7] é um gás inodoro, sem cor, inflamável e explosivo. A adição de estabilizantes , Dióxido de Cloro ou ou Clorofluorocarbonado reduz o risco de explosão e de fogo.  

No Brasil existe legislação específica sobre funcionamento de centrais de esterilização por Óxido de Etileno [8]. No entanto as questões relacionadas aos ciclos, tipo de gás e aeração não estão contempladas, embora constem os limites máximos de resíduos aceitáveis para os diferentes tipos de materiais. 

como foi dito os clorofluorocarbonados são usados como estabilizadores em combinação com o Óxido de Etileno e a Agência de Proteção Ambiental Americana  baniu a produção dos clorofluorocarbonados. As alternativas menos prejudiciais ao ambiente são: 

1.       8,5% de Óxido de Etileno e 91,% de Dóxido de Carbono 

2.       Msitura de Óxido de Etileno com hidroclorofluorocarbonados 

3.       100% de Óxido de Etileno  

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PLASMA DE PERÓXIDO

Indicação : é um processo indicado para esterilização de superfícies.

HIDROGÊNIO

- Limpeza com  remoção completa de resíduos orgânicos [12] 

- Secagem 

- Embalagem e selagem adequadas 

·         Temperatura de funcionamento do equipamento: em torno de 45º. 

·         Duração do ciclo de esterilização:  aproximadamente 70 minutos. 

·       Toxicidade: não requer aeração pois não deixa resíduos tóxicos. É seguro para o ambiente e profissionais. 

·         Indicadores: químicos, mecânicos e biológicos. 

·         O fabricante recomenda indicador químico em todas as embalagens em todas as esterilizações. 

·         Fitas colantes químicas em todos os pacotes

·         Indicador biológico: Bacillus subtillis [10]  . Teste no mínimo uma vez por semana e em todas as manutenções preventivas e corretivas.

·         Nome comercial: STERRAD ®

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ÁCIDO PERACÉTIDO- LÍQUIDO[13]

Obs: ver também este ítem em Desinfetantes 

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ÁCIDO PERACÉTICO- PLASMA

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FORMALDEÍDO E VAPOR DE FORMALDEÍDO

 VAPOR DE FORMALDEÍDO[16]

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INDICADORES

Os indicadores que demonstram a eficácia dos métodos de esterilização podem ser mecânicos, químicos e biológicos. São utilizados mais frequentemente para métodos automatizados. 

·         Indicadores mecânicos: monitores de tempo, temperatura, pressão, relatórios impressos computadorizados. 

·         Indicadores químicos: existem diversos tipo de indicadores químicos que serão descritos abaixo de acordo com a ISO 11.140-1: 1995. 

·         Indicadores biológicos: indicam que a esterilização foi efetiva através da inativação de indicadores com contagem prévia de esporos viáveis  conhecida. 

Classificação dos Indicadores Químicos

·        Classe 1 ou Indicadores de Processo:  Indicadores de Processo- indicados para uso em pacotes, "containers" etc. individuais para demonstrar que houve exposição ao processo de esterilização e distinguir unidades processadas das não-processadas.  

 ·        Classe 2 ou Indicadores para uso em testes específicos: Designados para uso em procedimentos de testes específicos como definido nos padrões para esterilizadores ou processos de esterilização. Ex: Bowie e Dick. 

 ·        Classe 3 ou Indicadores Monoparamétricos:  Um indicador de um único parâmetro pode ser designado para um dos parâmetros críticos e pode indicar exposição a um ciclo de esterilização a um valor específico do parâmetro escolhido.

 ·        Classe 4 ou Indicadores Multiparamétricos:  Um indicador multi-paramétrico pode ser designado para 2 ou mais dos parâmetros críticos e pode indicar exposição a um ciclo de esterilização aos valores especificados dos parâmetros escolhidos.

  ·        Classe 5 ou Indicadores Integradores:  Indicadores integradores são designados para reagir a todos os parâmetros críticos dentro de um intervalo específico de ciclos de esterilização. Os valores especificados são aqueles requeridos para atingir uma inativação especificada por um organismo teste específico com valores D especificado e, se aplicável, valores Z ( como descrito para indicadores biológicos para esterilização a vapor na ISO 11.138-3 ). 

 ·        Classe 6 ou Indicadores Emuladores ( indicadores de verificação de ciclos ):  Indicadores emuladores são indicadores designados para reagir a todos os parâmetros críticos dentro de um intervalo específico de ciclos de esterilização, para os quais os valores especificados são baseados nos ajustes dos ciclos de esterilização selecionados. 

  

Controles químicos

Externos- indicam que o vapor entrou em contato com a superfície exposta. Devem ser colocadas em todos os pacotes em todos os processos. 

-          Fitas ou etiquetas adesivas- impregnadas com substância química termosensível específica ao vapor que ao ser retirada da autoclave deverá apresentar mudança de coloração. 

-          Impresso- tinta indicativa termosensível impressa diretamente na embalagem que ao ser retirada da autoclave deverá apresentar mudança de coloração. 

Interno- indicam que o vapor penetrou o interior da embalagem. 

-          Tiras de papel - impregnadas com tinta em concentração graduada com substância químicas termosensíveis específicas ao vapor. Ao ser retirada da autoclave deverá apresentar coloração de marrom a preto [17]

-          Integrador químico- reagente químico liberado gradativamente a medida em que ocorre a combinação dos parâmetros de temperatura, umidade e tempo de exposição. Indicada a colocação em pacotes de difícil acesso do vapor. 

-          Bowie Dick 4 - pode ser elaborado com diversas fitas teste sobrebostas cruzadas ou em forma de papel já industrializado,  permeável ao vapor com impressão de um desenho característico concentrico. Sua utilizade é detectar ar residual em autoclaves a vácuo ( não se aplica a autoclaves gravitacionais). Ver descrição abaixo 

 

   ·         Passos a serem seguidos para o teste de Bowie e Dick: 

1-      Montagem do pacote  [2],[4] , [18] com 25 a 36 campos de 90X60cm recentemente lavados mas não passados, uns sobre os outros a uma altura entre 25 a 28 centímetros. No centro da pilha colocar uma folha de papel poroso com diversas fitas teste coladas sob forma de asterisco". Empacotar a pilha em papel, caixa metálica ou apenas amarrá-la com fita de autoclave.  

2-      O pacote com o teste deve ser colocado próximo ao dreno, diariamente, na primeira carga do dia, após o aquecimento da autoclave. 

3-      Pré aquecer a câmara vazia removendo o ar e vapor condensado das linhas através de um ciclo  de aproximadamente 2 a 3 minutos. Caso o uso da autoclave seja initerrupto não há necessidade de pré aquecer. 

4-       A alteração uniforme da cor em todo o papel- teste indica teste satisfatório. 

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CONTROLES BIOLÓGICOS 

·         São testes utilizados para monitorizar o processo de esterilização, consistindo em uma população padronizada de microorganismos viáveis (usualmente esporulados) conhecidos como resistentes ao modo de esterilização a ser monitorizado[2],[4]  

·         Podem ser : 

Tiras de papel- envelopes contendo tiras de papel impregnada com esporos dos bacilos.  

Autocontido ou completo[19]- ampolas contendo os bacilos e meio cultura líquido.    

·         Frequência dos testes biológicos  [20], as recomendações diferem de acordo com diferentes instituições ( APIC, AAMI, AORN etc) no que se refere à frequência. Pode ser diariamente, na primeira carga do dia, semanalmente ou com frequência testada e definida pela política da instituição [21].  

·         É consenso sua utilização na validação e ao término de todas as manutenções realizadas , sejam elas preventivas ou corretivas. 

·         É aconselhável o uso sempre que houver na carga próteses ou materiais implantáveis. 

·         Tipos de bacilos utilizados: os mais utilizados são os B. subtillis para esterilização a baixa temperatura e B. stearothermophillus para esterilização a vapor. 

  

QUAIS E QUANDO UTILIZAR OS DIFERENTES INDICADORES 

Controle da carga 

     Cada carga ou diário para "flash". 

         Cada carga para Óxido de Etileno, Plasma de Peróxido 

·         Diariamente ou semanal para autoclaves a vapor com ciclos maiores (ou definido pela instituição se outros parâmentros estiverem controlados)

Indicador Biológico de Leitura Rápida ou Indicador Biológico Convencional (48h)

Controle do pacote 

Cada pacote 

Indicador químico multiparamétrico ou integradores químicos 

Controle do equipamento 

Remoção do ar- no início do dia 

Após grandes reparos 

Validação do equipamento 

Monitorização mecânica- cada carga 

Teste de Bowie e Dick 

Registro dos indicadores mecânicos do equipamento 

Controle da exposição 

Cada pacote 

Fitas indicadoras de processos

Manutenção dos registros 

Cada pacote 

Livro registro que permita a rastreabilidade do pacote 

    

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INSTALAÇÃO DE UM EQUIPAMENTO

1)Os testes de instalação devem ser realizados com a indústria e com os profissionais que irão ser os responsáveis pelo uso do equipamento.

2) Realizar três testes consecutivos com a carga completa utilizando um indicador biológico em um pacote teste. Deixar fora da esterilizadora um indicador biológico- controle que será incubado juntamente com o teste ao final do ciclo. 

PACOTE TESTE (não confundir com o teste de Bowie e Dick) - 16 campos recém lavados em bom estado de aproximadamente de 41 por 66 centímetros. Cada compressa será dobrada longitudinalmente em 3 e depois dobradas ao meio e empilhadas. Um indicador (opcionalmente acompanhado de indicadores químicos) será colocado no meio geométrico do pacote. Ao final amarrar com fita teste de modo a que fique com aproximadamente 15 centímetros de altura.  

3) Repetir o teste com a câmara vazia. 

4) Para autoclaves com pré-vácuo repetir três vezes o ciclo utilizando o teste Bowie Dick com a câmara cheia. 

Obs: Embora de forma geral estas sejam as práticas para todos os tipos de equipamentos, existem especificações de testes desafios para Óxido de Etileno [22] e outros pacotes podem ser utilizados desde que devidamente validados [4]

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VALIDAÇÃO DE UM EQUIPAMENTO

Os equipamentos devem ser validados para cada novo ciclo e novo tipo de carga a ser esterilizado. 

Para esta validação devem ser seguidos os seguintes passos: 

1)       Escolher um pacote que contenha o tipo mais característico do tipo de carga. Este pacote deverá ser, de preferência o de maiores dimensões que se pretende esterilizar. Colocar o pacote no local do dreno. 

2)       Completar a carga da autoclave. 

3)       Os indicadores biológicos e químicos devem ser colocados nos locais onde haja maior dificuldade de penetração do agente esterilizante de acordo com a configuração do equipamento. 

4)       Dar início ao ciclo de esterilização. 

5)       Registrar os parâmetros dos indicadores mecânicos. 

6)       Ao final do ciclo, observar e registrar o resultado dos indicadores químicos. 

7)       Colocar os indicadores biológicos na incubadora e após ler os resultados e registrar. 

8)       Arquivar os resultados de todos os testes realizado 

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MANUTENÇÃO

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BIBLIOGRAFIA

 

[1] RUTALA W A. APIC Guideline for selection and use of disinfectants. AJIC Am J Infect Control. 1995; 23: (30: 35A- 65A.

[2] 1996 ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION. Flash sterilization: steam sterilization of patient care items for immediate use. ANSI/AAMI ST37-1996. American National Standard.

[3] ASSOCIATION OF OPERATING ROOM NURSES. Standards recommended practices. Denver.1997.

[4] 1994 ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION. Good hospital practice: steam sterilization and sterility assurance. ANSI/AAMI ST46-1993. American National Standard.

[5] RUTALA W A & WEBER D J. Clinical effectiveness of low temperature sterilization technologies. Infect Control Hosp Epidemiol. 1998; 19: 798-804.

[6] RUTALA W, GERGEN MF, WEBER DJ. Comparative evaluation of the sporicidal activity of new low temperature sterilization technologies: Ethylene oxide, 2 plasma sterilization systems and liquid peracetic acid. AJIC Am J Infect Control. 1998; 26: 393-8.

[7] RUTALA W A. Disinfection and Sterilization of patient-care items. Infect Control hosp epidemiol. 1996; 17: 377-384.

[8] BRASIL. Portaria interministerial no. 482. 16 de abril de 1999. Procedimentos de instalaçào e uso do gás Óxido de Etileno e suas misturas em unidades de esterilização. Ministério da Saúde.

[9] KYI M S, HOLTON J, RIDGWAY G L. Assessment of the efficacy of low temperature hydrogen peroxide gas plasma sterilization system. J Hosp Infect. 1995; 31: 275- 84.

[10] JACOBS P, KOWATSH R. Sterrad sterilisation system: a new technology for instrument sterilization. End Surg. 1993; 1: 57-58.

[11] RUTALA W A. Low- temperature sterilization technologies: do we need to redefine “sterilization”? Infect Control Hosp Epidemiol. 1996; 17: 87-91.

[12] ALFA M J, DE GAGNE P, OLSON N, PUCHALSKI T. Comparison of ion plasma, vaporized hydrogen peroxide, and 100% ethylene oxide, sterilizers to the 12/88 ethylene oxide gas sterilizer. Infect Control Hosp Epidemiol. 1996; 17: 92-100.

[13] YOUNG J H. New sterilization technologies. In: REICHERT M & YOUNG JH. Sterilization technology. 2 ed. ASPEN. 1997;26: 228- 235. Gaithersburg.

[14] KRAMER A, PITTEN FAA, FREUNDT & ANDENMATTEN. Risk benefit evaluation of formaldehyde as disinfectant and antiseptic. Hyg Med. 1996; 21: 536-557.

[15] MC DONENNELL & RUSSEL D. Antiseptics and disinfectants: activity, action and resistance. Clin Microbiol Rev. 1999; 12: 147-179.

[16] HURREL D. Low temperature steam and formaldehyde (LTSF) sterilization. Its effectiveness and merits. J Science Serv Manag. 1987; 41-44.

[17] BRASIL. Projeto de norma No. 23:001-04-007 de embalagem para esterilização a vapor. ABNT.

[18] SCALI N MP. Teste de Bowie e Dick: "Bom, barato e muito útil!"Rev SOBECC. 1997; 2 (1): 13- 14.

[19] SCALI N MP. Indicadores biológicos de terceira geração.Tecnologia rompe a barreira do tempo. Rev SOBECC. 1997; 2 (2): 16- 18.

[20] ASSOCIATION FOR ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION. Hospital steam sterilizers. ANSI/AAMI ST8-1993. American National Standard.

[21] JOINT COMISSION ON ACCREDITATION OF HEALTH CARE ORGANIZATIONS. Accreditation Manual for Hospitals. Oakbrook Terrace, II: Joint Commission on Acrcreditation of Healthcare Organizations; 1996: 459.

[22] 1992 ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF MEDICAL INSTRUMENTATION. Good hospital practice: Ethylene oxide sterilization and sterility assurance. ANSI/AAMI ST41-1992. American National Standard.

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